Arquiteto Funcional

Extensão SAP S/4HANA · Clean Core · Especificação funcional

Quem lê e escreve não é quem aprova.

Um método para escrever e para conferir a especificação funcional de uma extensão. Não é uma lista de boas práticas: é a separação entre o que se decide lendo e o que se apura contando, e o que muda quando essas duas coisas param de ser a mesma pessoa na mesma hora.

Aprovar e reprovar é medida, não leitura.

Toda conferência é uma apuração: procurar a frase citada dentro da fonte, contar as células da tabela, comparar o título com o template, conferir linha por linha. Nenhuma delas é uma opinião sobre o texto, e é por isso que a mesma conferência dá o mesmo resultado na segunda vez. Reprovou, o documento volta com o relatório exato do que faltou, e não com um conselho.

A sequência

Do processo em escopo até o documento conferido.

Escrever e conferir são o mesmo método virado para lados opostos, e juntos eles fecham um ciclo: o documento nasce com uma regra entre cada etapa, sai para ser lido por quem não o escreveu, e o que reprovar volta como correção nomeada. Não é assistente e não é agente: é sequência fixa, com parada humana onde a decisão é cara.

Processo IMPORTADO Requisitos COM ÂNCORA Gap O CORAÇÃO Definição O QUE SERÁ FEITO Especificação 20 SEÇÕES FSDD WORD ENTREGA Conferência QUEM CONFERE NÃO ESCREVEU âncora no passo alternativas com fonte fidelidade e revisão cobertura de origem decisão por classe o que reprova volta como correção, com a seção PORTÃO EM CÓDIGO PARADA HUMANA A CORREÇÃO VOLTA

Os papéis

Cada passo é definido pelo que ele não vê.

Papel aqui não é cargo nem etiqueta: é a fronteira do que aquele passo enxerga. É a segunda coluna que faz o método funcionar, porque o que um passo não vê é o que impede o erro do passo anterior de ser confirmado pelo seguinte.

PapelO que ele vêO que ele não vê, de propósito
Leitor O arquivo, e mede parágrafo a parágrafo o que a conversão perdeu Nada além do arquivo. Ele não interpreta, ele conta
Analista A fonte inteira. Extrai o que está escrito, com a frase literal de onde cada item saiu O template. Ele decide, e quem decide não deve estar preocupado com a forma
Redator Tudo o que o analista decidiu, e o template A fonte. Não decide nada: escreve o que já foi decidido
Avaliador Uma seção por vez, e as perguntas dela, de conjunto fechado O resto do documento, e qual resposta produz achado. Quem sabe onde está a nota aprende a passar na prova
Protótipo O documento e o dicionário de campos. Constrói a tela que o documento descreve A liberdade de completar em silêncio: o que precisou inventar sai declarado
Revisor A fonte e o resultado O raciocínio de quem produziu. Se visse, pararia de revisar e passaria a concordar
Montador Os artefatos de todas as etapas. Junta, conta, renumera e valida Nada que exija julgamento. Nenhuma decisão passa por aqui

As entregas

O documento, as telas, e o relatório sobre ele.

Cada um se lê sem ninguém na sala para explicar. O relatório tem duas partes que nunca se misturam: uma afirma o que o documento diz de si mesmo, conferível contra o próprio texto; a outra opina sobre arquitetura. Achado de inconsistência errado é um aborrecimento; recomendação de arquitetura errada faz um time reconstruir à toa.

A especificação, com o rastro

Cada afirmação normativa com a âncora literal na fonte. O que a fonte não decide não é preenchido com o razoável: fica marcado no lugar, com a pergunta e um dono.

No rodapé, o carimbo: versão das regras, edição do catálogo e a impressão do build. É o que permite reconstituir uma linha seis meses depois.

SEÇÃO 5.1 · MODELO DE DADOS · PENDÊNCIA COM DONO

"A chave primária de ZPM_INSPECAO é composta por EQUNR e DATA_INSPECAO."

Ancorado na ata do workshop, folha 4. A política de retenção da tabela ficou em branco de propósito: a fonte não decide, e preencher com o plausível faria o desenvolvedor construir uma decisão que ninguém tomou.

As telas desenhadas a partir do texto

É o que faz a aprovação andar: quem responde pelo processo aprova olhando a tela, e não lendo dezoito páginas para imaginá-la. Erro de entendimento aparece na reunião, e não no teste de aceite.

E é o portão mais duro contra especificação vaga. Para desenhar a tela é preciso saber quais colunas, em que ordem, com qual formato e o que aparece quando não há nenhuma linha. O que precisou ser inventado é o que o texto não disse, e cada invenção vira achado com o nome do campo.

Inspeções pendentes por equipamentoEXEMPLO FICTÍCIO
Centro: 1200 Data-base: 31/08 Situação: pendente
EquipamentoPróxima inspeçãoDias em atrasoSituação
Compressor A-1402/0829vencida
Esteira B-0718/090no prazo
Ponte rolante C-02???
3 campos tiveram que ser inventados para a tela existir, e os 3 saíram como achado

Parte I · o achado, com a passagem

Cada achado traz a seção, a frase citada, o que um desenvolvedor construiria de errado por causa dela, e o texto pronto da correção.

Achado que não cita passagem carrega no lugar o número que foi medido, e diz qual portão mediu. Não existe achado sem uma das duas coisas.

ACH-001 · EXTENSIBILIDADE · MEDIÇÃO · SEÇÃO 4.2

"Todos os entregáveis desta extensão são classificados como nível A"

A seção de lógica descreve leitura direta de AFIH, que é nível C. Quem ler a 4.2 vai supor que não há dívida de Clean Core onde há.

Parte II · o nível medido contra o declarado

Um nível por entregável, com o objeto que força o nível.

Objeto que o catálogo não conhece não vira chute: vira não medido, e o entregável inteiro sai marcado.

EntregávelDeclaradoMedidoObjeto que força
ZCL_ARAUCARIA_INSPECOESACAFIH
ZCL_ARAUCARIA_ORDEMBBBAPI_ALM_ORDER_MAINTAIN
ZCL_ARAUCARIA_HISTORICOAA

A seção que lista o que não foi olhado

Silêncio sobre o que não foi verificado é a pior coisa que um relatório pode fazer, porque o leitor conta o silêncio como aprovação. Toda seção não lida e todo objeto que o catálogo não classificou entram nominalmente.

É onde fica também a diferença entre ler o documento sozinho e lê-lo com a fonte que o originou: sem a fonte não dá para medir fidelidade, e isso sai escrito em vez de sair como silêncio.

O que se tem em mãosO que dá para medir
Só o documentoCoerência interna, modelo de dados, nomenclatura, afastamento do núcleo e as alternativas do catálogo
O documento e a fonteTudo acima, mais fidelidade: linha normativa que não chegou ao documento, afirmação sem âncora na origem, requisito sem tratamento

Cobertura

O que tem portão hoje, e o que não tem.

Um método que esconde a própria régua não merece ser avaliado. As três colunas existem porque a terceira é a que importa: silêncio numa seção sem portão não quer dizer que ela está boa, quer dizer que ninguém olhou, e isso precisa sair escrito no relatório junto com o resto.

Tem portão

  • Âncora literal por afirmação normativa, existente na fonte e dentro da seção declarada
  • Decisão de arquitetura por classe, com a frase que a sustenta
  • Modelo de dados: chave, cardinalidade, tipo e tamanho de campo
  • Nomenclatura de objeto contra o guia da empresa
  • Afastamento do núcleo contra o catálogo público, com a edição carimbada
  • Nível de extensibilidade declarado contra os objetos que a seção de lógica descreve
  • Fidelidade normativa entre a fonte e o documento
  • Coerência entre seções que falam do mesmo objeto
  • Leitura seção a seção: regra sem caso de escape, cálculo sem arredondamento, mensagem sem gatilho, cenário de teste sem critério
  • Campo desenhado na tela sem origem no texto: cada um vira achado com o nome do campo
  • Revisão adversarial, feita sem ver o raciocínio de quem escreveu
  • Exame das alternativas standard antes de decidir construir: cada alternativa com identificador procurável, endereço da fonte e a frase da página que sustenta o que ela faz
  • Passo do processo sem classificação em fit, gap ou fora de escopo: a subtração entre os passos lidos do arquivo e os classificados é o que ninguém olhou
  • Gap de processo cuja frase citada não existe no material do workshop
  • Cobertura standard afirmada sem aplicativo nomeado e sem a frase da fonte do fabricante

Pronto, à espera de volume

  • Taxa base por programa: o código está pronto, e ele se recusa a concluir abaixo de cinco FSDDs do mesmo programa. Com duas, disparar em 100% quer dizer disparar nas duas, e isso não é uma taxa

Não tem portão

  • Matriz de autorização
  • Critério de aceite
  • Premissa e restrição declaradas
  • Se a regra de negócio está certa para o que a empresa quer
  • Se a construção saiu como o documento diz

Os limites que nenhum portão resolve

A lista acima é do que ainda não tem régua. Esta é de outra natureza: são coisas que nenhuma régua vai resolver, e é melhor estarem escritas aqui do que ditas no meio de uma reunião.